Quarta-feira, 9 de Novembro de 2005

Paris, je t`aime

                                             fogo.jpg


A desordem instalou-se nos arredores das grandes cidades Francesas, sobretudo Paris. Jovens e adolescentes queimam e destroem tudo à sua passagem. Quem são os responsáveis? Se eu fosse intelectual de esquerda diria que a culpa é das políticas económicas e sociais dos sucessivos governos. Mas eu não sou intelectual de esquerda. Peço desculpa, mas digo que ser intelectual de esquerda é ter um virus que se instalou na sociedade faz algum tempo e que pega-se - só quarentenas muito dolorosas impedem a contaminação dos restantes...


Mas porra, de quem é a culpa?  Resposta fácil: todos somos culpados!  Não quero ir por aí, por isso apresento outros argumentos.


1) O ser humano é por natureza racista e tende a pertencer a grupos organizados, a clãs - Exemplo disso é o clã político(  Che Guevara é um santo) , clã religioso ( no meu sangue ninguém toca) , ou clã desportivo ( Baía, cabrão não vais à selecção !). Contudo, os mais perigosos dos clãs são dois(2), o clã das cores e o clã cultural. Em França, mais do que nos outros países, dois exércitos já declararam guerra mútua e prometem aniquilação do adversário. De um lado da barricada temos os verdadeiros franceses, que são os «cara pálida republicanos e laicos» e do outro lado da trincheira temos os «todos os outros».Ora, o primeiro erro dos intelectuais de esquerda é esquecer que há uma guerra entre estes dois pólos, falam como a culpa fosse do sistema, do governo que excluiu os pobres e os imigrantes. Este argumento só é verdadeiro se for inserido como fatia de um bolo e não como o bolo no seu todo. Se o argumento da exclusão fosse verdadeiro, os dois milhões de pobres e excluídos em Portugal já tinham provocado uma guerra civil e/ou o Brasil já nem existiria como nação. A exclusão é apenas uma consequência da tal guerra que falei atrás, e em que as duas partes são culpadas. Ainda se o argumento da exclusão fosse válido os imigrantes originários de África ou Magreb jamais provocariam desordens brutais como incendiar escolas, porque nos seus países de origem, pertencer à classe média é menos vantajoso que pertencer à classe dos pobres e excluídos em França. Os dois lados têm os seus aliados. Os cara pálida republicanos e laicos têm o dinheiro e o poder, os todos os outros têm a sede de dinheiro e a sede de poder.

 2) Ética e valores. Em treze(13) dias de violência ainda não vi nenhum intelectual de esquerda referir-se a estas duas palavras. Foi na França, no século XVIII, que nasceu a guerra aos valores. Em nome da liberdade criámos a cultura da morte, em nome da igualdade destruímos a família, em nome da fraternidade adulterámos a justiça e a responsabilidade. O altruísmo, o respeito, a paz, a partilha, a dignidade e a profundidade interior são postos para segundo plano. Quando adolescentes de 12/13 anos estão nas ruas até às cinco da manhã e a família ( ou o que resta dela) está em casa, na cama, descansada e pouco preocupada, é a prova que a sociedade perdeu os valores. No seu lugar a competição e o individualismo são reis e senhores. Os novos lemas, para os dois lados da barricada, são a conquista, a vitória a qualquer preço, o vale tudo, não olhar a meios para atingir os fins... como se vê no desporto, no local de trabalho.

publicado por Paulo do Porto às 19:13
link do post | comentar | favorito
|
7 comentários:
De Anónimo a 16 de Novembro de 2005 às 21:18
Aquilo de Paris foram erros atras de erros. Erros crónicos e agudos,,, erros. aprendamos alguma coisa...Lino Gomes
(http://www.pensamentosdiversos.blogspot.com/)
(mailto:pensamentosdiversos@tvtel.pt)
De Anónimo a 16 de Novembro de 2005 às 09:19
Bom dia.... lindo dia para você!Mar
(http://)
(mailto:ameanatureza@gmail.com)
De Anónimo a 15 de Novembro de 2005 às 19:40
E agora? -Parece que a França já está entrando nos conformes de novo e ... nada de vc? -Estou aguardando novo artigo. A propósito, uma perguntinha indiscreta online: Em Portugal Deus se escreve com letra minúscula? Me refiro a Deus o Criador não deus de deuses. É que estou lendo o livro "As intermitências da Morte" de José Saramago que, cfme a vontade do autor permanece no Brasil a escrita portuguesa, ele não quis que alterasse a gramática para o português brasileiro. Estou na pgna 38. Questionei algo nas páginas 26 e 27(porque os animais continuam morrendo e os humanos não) -Esse livro dá para levantar polêmicas e, as únicas questões que levantei até agora foi "deus" e a não morte dos animais. Deduzo essa vida eterna na terra como a transformação da terra no inferno, ou seja, abandonados por deus nesse caso, até concordo que escreva em letra minúscula porque até a página 38 ele simplesmente deixou de existir. VOLTEEEEEEEEE A PUBLICAR, please,, é maus qd alguém que não conhecemos some, é como se tivesse sumido no nada absoluto..... por favor.... mas, on line vc é muito importante já que não pode ser doutro jeito. ameanatureza
(http://ameanatureza.blogs.sapo.pt)
(mailto:ameanatureza@gmail.com)
De Anónimo a 14 de Novembro de 2005 às 09:18
Esse teu artigo está prá lá de dez.Santinha
</a>
(mailto:)
De Anónimo a 10 de Novembro de 2005 às 22:55
Ás vezes é dificil separar as ervas daninhas que estão junto das flores sem danificar as mais frágeis e sensíveis. Todas as comunidades têm os seus anjos e as suas ervas daninhas. Insensato será meter-se no mesmo saco, misturando-se a farinha de milho com a de rigo. O certo é que ambas as comunidades, a europeia branca e a muçulmana amulatada existem feridas que só podem sarar com o diálogo efectivo e condescendente, e o respeito pelos usos e costumes de cada grupo. Efectivo e não irreal. O certo Paulo é que existem pessoas a sofrer. E quem a as vai ajudar? Aqueles que não têm? Ou aqueles que têm e dizem não ter? Muitas felicidades para o Paulo e gostei da tua simpática visita. [Dominio dos Anjos]HumbertotheWizard
(http://HumbertotheWizard.Blogs.sapo.pt)
(mailto:HumbertotheWizard@Hotmail.Com)
De Anónimo a 10 de Novembro de 2005 às 14:40
Oieeeee. -Intelectual é o sujeito que vê as coisas do teu ângulo de vista. Se os "intelectuais" tivessem "olhos de ver" como vc vê caro amigo, essas coisas não estariam acontecendo. -A mídia aqui no Brasil diz que a algazarra já chegou em Portugal, que está se espalhando pela Europa. -É vero? -Sabe, Os que se dizem "intelectuais" os que se dizem "O cara" só vão provar para mim que o são se conseguirem no "agora" fazer renascer a Amazônia dos nossos avós, o Amazonas dos idos 1900 por aí. Enquanto não surgir "O Cara" capaz de reverter o caos planetário... até esse momento para mim não existe um humano intelectual. Amigo... o que estamos vendo na França não passa de homo-sapiens(s) sem destino certo nesse planeta. Todos, desde o general até o favelado pertencem ao clã dos seres em evolução que vão chegar a lugar algum porque... porque, porque não sabem o que fazem!Mar
(http:ameanatureza.blogs.sapo.pt)
(mailto:ameanatureza@gmail.com)
De Anónimo a 10 de Novembro de 2005 às 09:06
Gostei da análise. O racismo é um grave problema, difícil de combater. Mas desenganem-se se pensam que só acontece em França...PDivulg
(http://lacosazuis.blogs.sapo.pt)
(mailto:pdivulg@sapo.pt)

Comentar post