Segunda-feira, 30 de Maio de 2005

Digo NÃO à constituição europeia

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Estou deliciado! A França - a toda poderosa França, disse NÃO à constituição Europeia.Agora sim... já vejo uma luz ao fundo do túnel. Com o NÃO francês todo o projecto europeu fica em causa e décadas e décadas de construção e tratados feitos nas costas dos povos terão de ser reanalisados e discutidos .


Permitam, caros leitores deste blog, fazerem comigo uma viagem na máquina do tempo. Depois da 2ª Guerra Mundial alguns poderosos países sendo à cabeça a França e Alemanha resolveram criar a comunidade  do carvão e do aço, para logo a seguir no seu lugar nascer a bem conhecida Comunidade Económica Europeia, que durou até 1992. Disse bem, chamava-se "Comunidade Económica"! O nome não engana! O início do projecto europeu tinha um objectico: O dinheiro. Essa história de "unir" os países europeus significava antes de tudo - " vamos enriquecer a qualquer custo"...


... Portanto com o nome " comunidade económica" não restam dúvidas que o principal impulso para uma Europa unida foi a sede de poder de alguns grandes países, para poder dominar todos os outros, nem que para isso tivessem de dar uns trocos aos países mais pobres.


Obviamente que paralelamente a isso muitos políticos europeus também desejavam uma Europa mais unida em termos culturais, sociais ou em termos de valores, estando todavia subjacente a ideia de criar um dia os Estados Unidos da Europa, para fazer frente aos "malvados" americanos e fazer da Europa novamente o centro do mundo... claro que estas ideias sempre foram ditas por meias-palavras para não assustar os americanos ou os povos europeus que não querem perder a sua independência.


No início dos anos noventa já era claro que o projecto europeu era uma fraude. O crescimento económico dos países da CEE vinha sendo há décadas inferior aos Estados Unidos e ao Japão - a Europa vivia( e ainda vive) uma permanente crise económica e de valores.Os Estados Unidos sempre tiveram uma economia mais pujante que a do velho continente. A solução foi a mais fácil: A fuga para a frente.Quase sempre sem consultar os seus eleitores  aprovaram-se tratados, moeda única, perda de independência, entrada de dezenas de países na Comunidade em poucos anos; obrigação de cumprir o deficit abaixo dos 3% ... e as poucas vezes que esses "tratados" iam a referendo muitas vezes só eram aprovados depois do POVO ter dito NÃO uma e duas vezes...


Até que chega o séc. XXI e acontece o impensável:  A Europa jacobina perde a vergonha e a lucidez e resolve desafiar  os Estados Unidos, como se fosse a uma só voz; como se todo o povo europeu estivesse contra os Estados Unidos - sublinho contra os Estados Unidos e não contra os presidentes dos EUA e sem tentarem esconder dizem nas entrelinhas : - Somos os maiores, já temos moeda única; , somos laicos e felizes; façamos da asiática Turquia uma nação laica e europeia... desafiemos os crentes americanos, porque lá os presidentes prestam juramento sobre a biblia... nós não; nós somos bons e superiores, criemos uma constituição que faça referência ao Império Romano, porque foi importante para a cultura europeia, mas vamos esquecer uma referência histórica ao cristianismo... afinal nós somos laicos e não se esquecam povos de todo o mundo - somos europeus, somos os maiores, aqui a droga já é legalizada, os gays começam a poder casar e fazemos tudo o que é moderno e até temos um magnífico país à experiência para testar a nossas loucuras - a HOLANDA, onde já é lei praticar a eutanásia de crianças a pedido dos pais e não delas próprias...SOMOS LOUCOS,MAS SOMOS OS MAIORES e se for preciso reduziremos o vaticano a um monte de escombros...


Como vos disse eu vejo uma luz ao fundo do túnel...


                                                            tem continuação no próximo post

publicado por Paulo do Porto às 19:41
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9 comentários:
De Anónimo a 23 de Junho de 2005 às 10:58
Se estamos em democracia na Europa, então, a democracia tem forças renovadoras dentro de si.A alma da democracia não desaparece por um simples abanão. Quem acredita na democracia, não quer um governo forte em Bruxelas, onde não possamos intervir e alterar de um momento para o outro. Não se vá lá instalar um déspota. Ali estará o poder e os povos estarão vigilantes. O povo não não perder a capacidade de reorientar o seu destino. Acreditamos na democracia e na sua potencial vitalidade, por isso, ainda bem que tivemos um não que deu para parar.A construção pelos pequenos passos já não pode ser com estes dirigentes, principalmente o alemão e o francês. Armando
</a>
(mailto:armando.p.santos@sapo.pt)
De Anónimo a 1 de Junho de 2005 às 17:52
Paulo, eu não gosto das inclinaçoes Francesas quase sempre não concordo com eles, acho que os Franceses gostam de se demarcar em tudo, nunca reconheci nos Franceses qualquer identidade que n/ seja uma vontade incrivel em estar no contra, pois eu te digo se a França disse não se eu for votar certamente direi sim, pois n/ me identifico com esse povo. Um beijo meu amigoadryka
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De Anónimo a 1 de Junho de 2005 às 16:19
ai ai ai ai ai... isso vai dar samba, ah se vai. Entre o ser e o não prefiro não questionar, mais que vai dar samba... ah vai!
Mar
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De Anónimo a 1 de Junho de 2005 às 15:37
É importante o Não ganhar, agora o que está por trás de cada não em cada país, aí sim dava pano para mangas. Infelizmente as coisas não são tão lineares; ou felizmente, até aqui depende do ponto de vista. Isto só sentando a uma mesa e discutir mentalidades. Fica bemViceversa1000
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De Anónimo a 1 de Junho de 2005 às 10:54
Não, por motivos diferentes.
Mas a vantagen do Não é trazer a discussão da Europa para a praça pública.
E a discussão é democracia.
Não há outra forma de criar a democracia, que não seja através da discussão pública.
Sem o Não a Europa não sobrevive.
O Não tem a força genuína do povo.
E, não a ignorância das instituições.
Como o outro gosta de dizer 'habituem-se'.
ofiodatretaArmando
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(mailto:armando.p.santos@sapo.pt)
De Anónimo a 1 de Junho de 2005 às 10:09
Acreditei que os franceses votassem sim mas....para meu desgosto, assim não aconteceu. Isso penso que nos vá projudicar um pouco mas, como sou optimista acredito que o nosso Governo irá dar a volta por cima e vamos ultrapassar mais esta dificuldade certamente ( não sei a que preço mas...acredito!)Obrigada pela tua visita, Feliz dia. Bjsdocerebelde
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De Anónimo a 31 de Maio de 2005 às 18:26
Carlos: Interessante a tuas origens francesas. Curiosamente os bretões fogem um pouco ao resto da mentalidade dos franceses.A esquerda votou NÃO em França por causas mesquinhas como as relações demasiado íntimas ( segundo eles) com os EUA. Há muitas razões para votar NÃO e as minhas são seguramente diferentes de muitos franceses.Paulo (autor blog)
(http://novavida.blogs.sapo.pt)
(mailto:Paulossr@sapo.pt)
De Anónimo a 31 de Maio de 2005 às 15:12
Agora fugindo da ironia e ligando mais ao que escreveste... tens toda a razão, a Europa está cada vez mais descaracterizada... enquanto que os outros valorizam as suas raízes históricas e tradicionais, aqui na Europa desvalorizam-se, menosprezam-se... que dizer de um povo que renega o seu passado?Carlos Tavares
(http://o-microbio.blogspot.com)
(mailto:carlos.roquegest@mail.telepac.pt)
De Anónimo a 31 de Maio de 2005 às 15:08
Pelo simples facto de a França ter dito Não, cada vez me sinto mais inclinado a dizer Sim. Pois contrariamente à caracterização que fazes da França eu tenho opinião contrária perante o chauvinismo daquele povo... e olha que os conheço bem... sou casado com uma francesa já para não falar das minhas raízes gaulesas: o meu avô era bretão, precisamente de uma região francesa onde, curiosamente, ganhou o "SIM"!Carlos Tavares
(http://o-microbio.blogspot.com)
(mailto:carlos.roquegest@mail.telepac.pt)

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